.quando você perde um emprego e não consegue arranjar outro.

Escolhi esse título porque ele diz exatamente o que eu estou sentindo (e passando), não foi à toa. Infelizmente a empresa que eu trabalhava passou por uma reestruturação e algumas áreas foram impactadas. Eu estava em uma dessas áreas e entrei pra lista. Acredito que não seja por causa da minha performance, ou assim disseram, e esse tipo de evento acontece, não acho que sou vítima, não guardo mágoa essas coisas. Estou no mercado a tempo suficiente de entender como essas coisas funcionam, e porque funcionam assim. Mas, fui cortada.

Inicialmente eu estava em pânico por nunca ter sido demitida. Depois vieram os cinco estágios do luto, até a famosa aceitação. Ela durou tempo suficiente para que eu me estabilizasse emocionalmente, mas lá ficou. Ela não quis ir embora.

Faz um tempo já que me encontro nessa enorme empresa chamada desemprego, que já bate a “contratação” de mais de 12 milhões de profissionais.

A primeira coisa que eu fiz foi olhar pra trás e reviver todos os momentos da minha carreira iniciante, e definir o que eu queria fazer a partir de agora. Sempre vi esse momento como uma página em branco para uma nova história. E foi bonito pensar isso, pois me colocava pra cima, empurrava pra frente, me enchia de esperança. Estudei diversas empresas das quais admirava, fiz uma planilha com pontos positivos e negativos, com chances de fit cultural e etc. E isso me distraiu muito, apesar de ter tomado um tempo gigantesco. Depois de tudo planejado, lá fui eu me aplicar para elas.

Nos primeiros três meses meu foco total era esse. Me inscrevia em todas as posições em que a cultura da empresa e os desafios da oportunidade estavam alinhados com meus valores e minhas competências. E esperei. Como diz uma grande amiga, procurar trabalho dá muito trabalho.

Obtive alguns retornos. Muito menores do que minha vã imaginação pintava, e participei de alguns processos seletivos. Quase consegui três, e isso me animou, até perceber que “quase” não significa nada. Fiz, inclusive, dinâmicas de grupo, coisa que não fazia há quase 10 anos.

Escrevi textos em blog, criei um canal no Youtube pra falar sobre o que eu gosto de fazer, tentei freelas, conversei com muita gente, fiz cursos para aumentar meu valor de mercado, refiz o perfil do Linkedin várias vezes, assinei o Premium pra ver se ajudava (fora sites especializados em busca de emprego) , e continuo nessa luta.

Eu tento sempre ver o copo meio cheio, mas não é fácil. Essa semana por exemplo eu não consegui e me entreguei a tristeza. Ela vai passar, mas acho digno abraçar aquilo que te cerca para poder de fato passar por cima do sentimento e começar de novo. Sinto que essa batalha é assim ad eternum, você cruza a linha de chegada e tem que bater um novo recorde todo dia.

É inevitável não pensarmos em nossos defeitos muito mais do que em nossas qualidades. E tá tudo bem. É bom fazer análises periódicas sobre nós. E também é muito difícil se contentar com o momento atual do país, e economistas estimando que o pleno emprego só volte em 2020. Sinceramente, me sinto completamente perdida.

Já fiz tudo que aprendi nos anos que trabalhei em uma empresa focada em recrutamento executivo. E continuo aqui. Já abaixei a régua para ter mais oportunidades e continuo aqui. Sei que sou competente, batalhadora, animada, jovem, etc etc, mas continuo aqui. Sei que a concorrência está insana, uma vez que agora competimos com pessoas melhores, maiores, que se encontram no mercado (o que gera um valor absurdo) e também com excelentes profissionais que estão nessa guerra por um novo emprego, e estão em casa.

Sei que muitos que estão lendo esse texto agora continuam aqui como eu. O que vocês tem feito para conseguir oportunidades? Poderiam dividir comigo? O que nós podemos de fato fazer para nos colocarmos em posição favorável diante de novas oportunidades? O que fazer quando não conseguimos sair do lugar?

Eu sempre acompanho os textos do Pulse e tenho consciência que meu viés não está muito otimista, mas eu realmente acredito que quanto mais trocarmos, mais temos chances.

Eu sei também que esse momento vai acabar. Tenho certeza disso. Mas, enquanto ele não acaba, podemos diminuir a angústia trabalhando juntos.

O que vocês acham?

Texto originalmente publicado no Linkedin Pulse (9/9/2016)

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